21 de mar. de 2016

Gabriel garcia Marquez


18 de mar. de 2016

Oração pelo nosso Brasil


Oração pelo Brasil
Mensagem de Euripedes Balsanufo
Locução - Nilson Gonçalves - DF
Montagens - Flávio Jr

ACONTECEU...



Aconteceu numa 5ª. Feira.
Cheguei a meu trabalho e ao ligar o computador percebi que toda a configuração de um projeto de RH muito importante e complicado que eu estava trabalhando há meses havia sido todo modificado em sua configuração.
Assustei-me: “Ué, a informática mudou toda a visualização do projeto sem me consultar? O que deve ter ocorrido?”.
          Afinal, eu era a responsável por aquele projeto. Passei alguns finais de semana elaborando e quebrando a cabeças para montar um sistema que adequasse melhor aos profissionais que iriam trabalhar naquele projeto comigo e aos candidatos naquela consultoria.
          Sem falar das inúmeras reuniões com o pessoal responsável pela informática e os analistas de cargo! Tudo para que eles colocassem em prática o que ainda estava no papel.
          E, naquele dia ao chegar ao trabalho constato que tudo foi alterado sem sequer uma conversa prévia.
          Fiquei irritadíssima, pensei em ir ao nono andar, no CPD, dar um murro na mesa, quebrar tudo e pedir explicações depois.
          Mas, meu bom senso me orientou a primeiro dar uma volta pelo corredor da empresa, contar até dez, tomar um copo de água e só depois com a cabeça fria resolver o problema.
          E foi o que fiz.
          Passando em frente à sala de uma colega entrei para desabafar.
          Esta minha amiga chama-se Mara. Somos amigas há quase 15 anos, trabalhamos juntas há alguns anos em outra empresa. Mas só nesta é que nos tornamos mais próximas.
          Amigas de conversas íntimas, de desabafos e confidências, Mara estava se preparando para casar. Procurando igrejas, bufês, ornamentação de igrejas, convites e listas e mais listas de convidados.
          Sentei à sua frente e pedi que me escutasse. Desabafei sobre a frustração de chegar e ver um projeto do qual era responsável, do qual estava à frente, que me fora tão sacrificante e demorado montar, ser tão modificado sem ao menos uma consulta, uma reunião...
          Falei, falei... acho que passei um bom tempo alugando os ouvidos de minha boa amiga!
          Desabafei toda minha insatisfação diante de uma amiga que me escutava calada e compartilhadora de meus dissabores. Eu me sentia gratificada por ter alguém com quem eu pudesse desabafar naquele momento.
          Quando de repente, ela quebra o silêncio me fazendo uma pergunta crucial que jamais esquecerei em toda a minha vida.
          Olhou-me bem dentro dos olhos e disse:
          “-Rita, você sabe quanto me cobraram para ornamentar a igreja”?

          Pois é...
          A Mara não escutou absolutamente nada do que eu lhe disse!
          Para ela não importa se mudaram a “cara” do meu projeto. Se o responsável foi o pessoal da informática, ou quem quer que tenha sido.

          E será que freqüentemente não agimos assim?
          Conversamos ou ouvimos pessoas, e depois de meia hora não conseguimos mais lembrar nada do que se foi falado...
          Quantas vezes saímos de reuniões chatas com a sensação de que nada se foi dito, ou conversamos com amigos, filhos, colaboradores e na verdade nosso espírito está em outro lugar...
          Quantas vezes continuamos no computador mesmo depois que alguém se senta ao nosso lado para conversar ou pedir informações.
          Quantas vezes o filho, o marido, a esposa, os pais não nos procuram para contar como foi seu dia e não largamos o jornal, o computador ou algo que estamos fazendo para dar total atenção e ainda dizemos: “Pode ir falando que eu estou escutando...”.
          Mas não está mesmo!!!
          Ouvir só por ouvir não é o mesmo que parar e escutar.
          Da próxima vez que tiver que ouvir alguém dê-lhe a devida atenção. Pare o que está fazendo. Olhe nos olhos. Isto é uma cortesia para com quem escolheu você para ouvir.

Coisa rara hoje em dia: Saber ouvir o outro.
Tenha uma boa semana, pense bastante no que leu e fique bem.


Prof. Rita Alonso – www.ritaalonso.com.br

O BALÉ SEDUTOR




Era uma vez um sujeito que passava sempre por uma rua com uma vila de casas a caminho do trabalho.

E nesta mesma rua, à tardinha, quando ele retornava para casa olhou para dentro de uma das casas e lá no fundo viu a silhueta de uma jovem que parecia fazer um balé com tal suavidade e leveza que o encantou profundamente. Ao lado uma professora que lhe corrigia o bailado.

A dança fascinante se repetia por todas as tardes à mesma hora e o rapaz ficava cada vez mais impressionado e atraído, a ponto de aguardar ansiosamente as tardes da semana só para assistir aqueles pequenos segundos de balé de braços sedutores que tanto o seduzia... Mesmo que por poucos segundos eram braços que balançavam no ar como Durga, a deusa indiana de muitos braços se agitando no ar como a dizer: -Venha, venha, venha para mim...

Uma cortina fina e branca na janela atrapalhava sua plena visão da jovem, impossibilitando que conhecesse a face da juvenil dançarina.

Mas era preciso conhecê-la, pois se sentia totalmente atraído e apaixonado. Era preciso abrir-lhe o coração e contar sobre seu amor verdadeiro.

Fantasiou o dia que entraria a primeira vez por aquela porta, sentaria naquele sofá da sala logo atrás da cortina aguardando os pais da moça para finalmente pedi-la em casamento.

Alguns meses depois um amigo foi visitar-lhe e o rapaz sentiu enorme vontade de dividir com ele aquele segredo que não mais cabia em seu coração.

Esperou a hora mais conveniente, que foi após o jantar. Pegou o colega pelo braço e começou contando-lhe que finalmente conhecera o amor. Que ainda platônico e cheio de receios e medos pensava num modo de aproximar-se de sua bailarina que desconhecia ser comprometida ou não.

Levou o companheiro até em frente à casa da amada e ao contar-lhe a história, entre constrangimento e decepção, quase não acreditou na sonora gargalhada que ouviu do amigo:

-Você está louco rapaz, aí é a casa da minha tia. Ela é costureira e o que você vê todas as tardes não passa de um manequim.



Muita gente vive desta forma: fantasiando e enfeitando a realidade.
E perde-se o ponto onde é realidade e fantasia. Talvez porque criar um mundo irreal seja muito mais bonito e perfeito daquele que se tem.
E vai se vivendo pela vida a fora entre este dois mundos. Entre sonhos e fantasias.
Lembrei-me de uma frase que li não sei exatamente onde mas que dizia assim:
Fantasiar é da nossa natureza, compartilhar é um delicioso ato de coragem e transformá-las em realidade não é para desavisados!



Prof. Rita Alonso – www.ritaalonso.com.br