10 de mai de 2010

As 7 lagrimas de um preto velho (Linda Reflexão)


No cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, fumando o seu cachimbo, um triste
PretoVelho chorava.
De olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam lhe pelas faces e, não sei porquê contei-as...
foram sete.
Na incontida vontade de saber, aproximei-me e interroguei-o:
Fala, meu Preto Velho, diz ao seu filho o porquê externas assim uma tão visível dor?
E ele,suavemente respondeu:
-"Estás vendo esta multidão de pessoas que entra e sai?
As lágrimas contadas são distribuídas a cada uma delas...

A Primeira eu dei a estes indiferentes que aqui vem em busca de distracção,
para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não conseguem conceber.

A segunda a estes eternos duvidosos que acreditam desacreditando, na expectativa de um milagre
que os faça alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam.

A terceira distribui aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança
desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.

A quarta aos frios e calculistas que sabem que existem uma força espiritual e procuram
beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.

A quinta chega suave,tem o riso e elogio da flor dos lábios, mas se olharem bem o seu semblante
verão escrito: creio na Umbanda, nos teus Caboclos e no teu Zambi, mas somente se vencerem
o meu caso ou me curarem disto ou daquilo.

A sexta eu dei aos fúteis que vão de centro em centro, não acreditando em nada, buscam
aconchegos e conchavos e teus olhos revelam um interesse diferente.

A sétima, filho, notas como foi grande e como deslizou pesada, foi a última lágrima,
aquela que vive nos olhos de todos os Orixás, fiz doação desta aos médiuns vaidosos que só
aparecem no centro, em dia de festa e faltam às doutrinas, esquecem que existem tantos irmãos
precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e
espiritual.

E assim meu filho, para estes todos é que viste minhas lágrimas caírem uma a uma.

Retirado de: www.atupo.com

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