23 de jan de 2012

Aprenda a Amar as Tempestades


O pássaro e o homem tem essências diferentes.
O homem vive à sombra de leis e tradições por ele inventadas; o pássaro vive 
segundo a lei universal que faz girar os mundos.
Acreditar é uma coisa; viver conforme o que se acredita é outra.


Muitos falam como o mar, mas vivem como os pântanos.
Muitos levantam a cabeça acima dos montes; mas sua alma jaz nas trevas das cavernas.
A civilização é uma árvore idosa e carcomida, cujas flores são a cobiça e o engano e cujas frutas são a infelicidade e o desassossego.


Deus criou os corpos para serem os templos das almas.
Devemos cuidar desses templos para que sejam
dignos da divindade que neles mora. 
Procurei a solidão para fugir dos homens, de suas leis, de suas tradições e de seu barulho.
Os endinheirados pensam que o sol e a lua e as estrelas se levantam dos seus cofres 
e se deitam nos seus bolsos.


Os políticos enchem os olhos dos povos com poeira
dourada e seus ouvidos com falsas promessas.
Os sacerdotes aconselham os outros, mas não aconselham a si mesmos, 
e exigem dos outros o que não exigem de si mesmos. 
Vã é a civilização.
E tudo o que está nela é vão.


As descobertas e invenções não são mais que brinquedos, com a mente se divertindo no seu tédio.
Cortar as distâncias, nivelar as montanhas, vencer os mares, tudo isso não passa de 
aparências enganadoras, que não alimentam o coração e nem elevam a alma.


Quanto a esses quebra-cabeças, chamados ciências e artes, nada são senão cadeias douradas 
com os quais o homem se acorrenta, deslumbrados com seu brilho e tilintar.
São os fios da tela que o homem tece desde o início do tempo sem saber que, 
quando terminar sua obra, terá construído a prisão dentro da qual ficará preso.


Uma coisa só merece nosso amor e nossa dedicação, uma coisa só...
É o despertar de algo no fundo dos fundos da alma.


Quem o sente não o pode expressar em palavras.


E quem não o sente, não poderá nunca conhecê-lo através de palavras.


Faço votos para que aprendas a amar as tempestades em vez de fugir delas.




(( Kahlil Gibran ))


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