6 de mai de 2012

O BALÉ SEDUTOR



Era uma vez um sujeito que passava sempre por uma rua com uma vila de casas a caminho do trabalho.

E nesta mesma rua, à tardinha, quando ele retornava para casa olhou para dentro de uma das casas e lá no fundo viu a silhueta de uma jovem que parecia fazer um balé com tal suavidade e leveza que o encantou profundamente. Ao lado uma professora que lhe corrigia o bailado.

A dança fascinante se repetia por todas as tardes à mesma hora e o rapaz ficava cada vez mais impressionado e atraído, a ponto de aguardar ansiosamente as tardes da semana só para assistir aqueles pequenos segundos de balé de braços sedutores que tanto o seduzia... Mesmo que por poucos segundos eram braços que balançavam no ar como Durga, a deusa indiana de muitos braços se agitando no ar como a dizer: -Venha, venha, venha para mim...

Uma cortina fina e branca na janela atrapalhava sua plena visão da jovem, impossibilitando que conhecesse a face da juvenil dançarina.

Mas era preciso conhecê-la, pois se sentia totalmente atraído e apaixonado. Era preciso abrir-lhe o coração e contar sobre seu amor verdadeiro.

Fantasiou o dia que entraria a primeira vez por aquela porta, sentaria naquele sofá da sala logo atrás da cortina aguardando os pais da moça para finalmente pedi-la em casamento.

Alguns meses depois um amigo foi visitar-lhe e o rapaz sentiu enorme vontade de dividir com ele aquele segredo que não mais cabia em seu coração.

Esperou a hora mais conveniente, que foi após o jantar. Pegou o colega pelo braço e começou contando-lhe que finalmente conhecera o amor. Que ainda platônico e cheio de receios e medos pensava num modo de aproximar-se de sua bailarina que desconhecia ser comprometida ou não.

Levou o companheiro até em frente à casa da amada e ao contar-lhe a história, entre constrangimento e decepção, quase não acreditou na sonora gargalhada que ouviu do amigo:

-Você está louco rapaz, aí é a casa da minha tia. Ela é costureira e o que você vê todas as tardes não passa de um manequim.



Muita gente vive desta forma: fantasiando e enfeitando a realidade.
E perde-se o ponto onde é realidade e fantasia. Talvez porque criar um mundo irreal seja muito mais bonito e perfeito daquele que se tem.
E vai se vivendo pela vida a fora entre este dois mundos. Entre sonhos e fantasias.
Lembrei-me de uma frase que li não sei exatamente onde mas que dizia assim:
Fantasiar é da nossa natureza, compartilhar é um delicioso ato de coragem e transformá-las em realidade não é para desavisados!


(( Prof. Rita Alonso – www.ritaalonso.com.br ))

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