9 de set de 2013

Fundo do Poço


Esses dias eu ouvi a seguinte frase: "Todo homem deve conhecer a sensação de estar no fundo do poço. Faz o homem crescer."
Prefiro não saber qual foi o idiota que disse isso?
Essa sensação se vende em algum lugar, ou está narrada nos transcritos de algum livro que eu possa ler?
Não. Só se obtêm a sensação se vivenciada.
E sério, eu preferiria não tê-la experimentado.
Sabe porquê? Porque o poço é fundo, é escuro e pegajoso. É difícil sair dele.
Você não cresce. Você desce, desce, desce...
E sua visão começa a se acostumar com a escuridão.
O que era aterrorizante e tenebroso, começa a adquirir formas, você começa a tatear a escuridão. Você se enebria com ela. Você começa a fazer parte dela.
A luz, a superfície... passa a ser uma antiga lembrança... depois um sonho... e finalmente deixa de existir.
Ao raiar do dia, talvez alguns raios de luz penetrem meu ninho escuro. E tão acostumado com o fundo do poço, com a escuridão que vivo; apenas um lampejo de luz ocasional já é suficiente pra saciar minha sede, mas não o suficiente pra subirmos à tona.
Estou no fundo do poço. E grito por socorro. Mas a escuridão também é ausência de som. Então ninguém me ouve.
Apenas movimento minha boca, abrindo-a e fechando-a... até não saber mais o motivo do porquê estou gritando.
Pode ser que nunca consigamos sair do fundo do poço.
Daí procuramos os similares a nós. Pra trocar experiências, pra chorar nossas vidas...
E nessa procura só os loucos me interessam, os loucos pra viver, pra conversar, que desejam tudo ao mesmo tempo, os que nunca bocejam ou dizem clichês, mas os que queimam, queimam, queimam... como fogos de artíficio na noite, no fundo do poço.
É errado eu querer viver só de drogas e sexo? Música e compras? Conversas e viagens? Estranhos e mar? Dizem que quando se vive isso está no fundo do poço. Mas é mentira. No fundo do poço não é tão divertido assim.
Tá bom. Eu excluo o sexo. Mas exijo 48 abraços por dia. Ou 24. Me contento com apenas um. Mas me abrace. Me escute.
Se um dia durante um big-bang sairmos do fundo do poço, somos cegados pela luz. E voltamos à nossa escuridão. Dessa vez não estamos no fundo do poço. Mas a escuridão nos persegue. Então nos excluímos. Ficamos sem lugar. Não terei um lar até o fim.
Quisera eu não ter descido ao fundo do poço.


Copiado do Blog do Fillipe Mark - Uberlândia/MG

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