8 de dez de 2011

A “Catástrofe”

Havia um lugar muito bonito, com belas árvores e flores, um parque verdejante e um lindo jardim. O local era privado de alguns recursos, mas, mesmo assim, um zeloso jardineiro que vivia na região persistia em mantê-lo belo, apesar das dificuldades que o lugarejo apresentava.

A água era pouca, e a terra não era muito fértil. Muitas das flores que se plantavam neste terreno não sobreviviam, ao mesmo tempo em que as circunstâncias precárias proporcionavam o surgimento de algumas ervas daninhas, que teimavam em crescer.
Para dificultar ainda mais o trabalho do jardineiro, havia uma enorme pedra no topo de uma montanha que se erguia na região. Ao início das tardes, a pedra fazia muita sombra no local e prejudicava o crescimento das flores mais delicadas e belas.
O jardineiro trabalhava arduamente, com muito amor, mantendo tudo sempre lindo e em ordem. Porém, era só ele descansar um pouco e pronto! Algumas flores morriam, enquanto as ervas daninhas cresciam rapidamente.
Seu trabalho era reconhecido por todos do lugar, que o admiravam pelo belo jardim que ele fizera nascer e que mantinha com tanto carinho.
Eis que, um dia, ocorreu um grande terremoto em toda a região, seguido de um forte vendaval, que devastou o local. Tudo foi destruído, inclusive o parque e o lindo jardim.
Após a terrível catástrofe, o jardineiro olhava com desolação para o que havia sobrado, lamentando profundamente todo o seu trabalho de anos que havia sido perdido com a catástrofe. Via-se totalmente sem forças só de imaginar o enorme trabalho que teria pela frente caso quisesse refazer o jardim.
Neste momento, notou que a grande pedra no topo da montanha se movimentava, não tardando a precipitar-se, rolando sobre o jardim e destruindo o pouco que havia sobrado. O próprio jardineiro, se não tivesse prestado atenção, morreria, mas conseguiu escapar por pouco de mais um triste acontecimento.
Vendo totalmente destruída a obra que criara por anos a fio, começou a chorar. Não sabia o que pensar. Todos os seus sentimentos estavam confusos e perdidos dentro do seu peito. Por que estas coisas acontecem conosco, pensava ele no seu íntimo. Por quê?
Neste momento ele sentia ir embora suas forças vitais e pensava até mesmo em morrer, de tanto desgosto com o que via pela frente, julgando-se injustiçado pela vida.
O jardineiro chorava copiosamente, mas o dia avançava e as nuvens da destruição começavam a ir embora, enquanto o céu se abria, deixando que o sol voltasse a brilhar novamente sobre o lugarejo.
Nesta hora, ele nota um fio de água que corria pelo meio do jardim e pergunta-se: de onde vem essa água?
Resolveu seguir o fio de água, logo percebendo que ela descia da montanha. Chegando ao topo, depara com o lugar de origem da pedra, de onde, agora, brotava uma fonte.
Enquanto isso, o pequeno fio de água sulcava a terra por onde passava, aumentando rapidamente seu fluxo, logo se tornando uma pequena e linda cascata.
Só então o jardineiro percebeu que, mesmo já avançada a tarde, ainda havia luz do sol sobre o lugar, pois a pedra, que outrora bloqueava a luz do sol, já não estava mais no mesmo lugar. A luz chegava livremente ao jardim, que permaneceu iluminado pelo resto do dia.
Tudo isso deu novo ânimo ao jardineiro, que já passava a ver o ocorrido com outros olhos e, de imediato, começou a mexer na terra.
Nesta hora, o jardineiro teve outra boa surpresa: ao remexer a terra, ela surgia com outra coloração, agora mais negra e rica, trazida do fundo do terreno à superfície pelo terremoto que arruinara o lugar.
Assim, passando a considerar as coisas boas que a “catástrofe” trouxe, com sua experiência de vida e agora reanimado ao ver que tudo pode ser feito ainda melhor, o jardineiro trabalhava, fazendo renascer o jardim, desta vez ainda mais belo e saudável do que antes.
Até hoje, em vez de amaldiçoar aquilo que inicialmente julgou ser uma catástrofe, o jardineiro agradece a oportunidade de ter sobrevivido e poder recomeçar tudo, sob novas condições.

Esta história nos faz perceber que tudo o que acontece em nossas vidas, por mais catastrófico, sofrido e dolorido que possa parecer no momento, sempre deixará algo de positivo.
Se estiver sofrendo com algo muito dolorido, tenha paciência e lembre-se que, daqui a pouco, as nuvens da destruição passarão, e o dia novamente brilhará.
Tenha certeza disto. Nessa hora, olhe para trás e veja o que se pode aprender com tudo o que aconteceu. Assimile as coisas boas do passado e agradeça pela vida que ainda há pela frente e por poder recomeçar, desta vez, melhor.

Marcelo Abrileri



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