27 de jan de 2009

Na vida que em geral levamos há muito pouca solidão.
Mesmo quando estamos sós, nossa vida
está tão repleta de influências,
de conhecimentos, de memórias e experiências, de ansiedade,
aflição e conflito, que nossa mente se torna cada vez mais
embotada e insensível, funcionando numa monótona rotina.
Estamos sós, alguma vez?
Ou estamos transportando conosco todas as cargas do passado?
Conta-se uma história interessante de dois monges que,
caminhando de uma aldeia para outra, encontraram uma jovem sentada
à margem de um rio, a chorar.
Um dos monges dirigiu-se a ela, dizendo: "Irmã, por que choras?".
E ela respondeu: "Estás vendo aquela casa do outro lado do rio?
Eu vim para este lado hoje de manhã e não tive dificuldade
em vadear o rio; mas agora ele engrossou e não posso voltar;
não há nenhum barco.
"Oh! - disse o monge -, "isto não é problema" -
e levantou nos braços a jovem e atravessou o rio, deixando-a na
outra margem.
Em seguida, os dois monges prosseguiram juntos a viagem.
Passadas algumas horas, disse o outro monge:
"Irmão, nós fizemos o voto de nunca tocar numa mulher.
O que fizestes é um horrível pecado.
Não sentiste prazer, uma sensação extraordinária, ao tocar uma mulher?"
E o outro monge respondeu:
- "Eu a deixei para trás há duas horas.
Mas tu ainda a estás carregando, não é verdade?"

Fonte: Almanaque do Pensamento



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